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Digital Twins

Os gêmeos digitais que mudarão a relação entre a cidade e os dados


Texto por Guilherme Dalcin, publicado originalmente em Caos Planejado.

 

Um Digital Twin é uma réplica virtual de algo que existe na realidade, seja uma máquina, uma edificação ou uma cidade inteira. Geralmente, ele corresponde a um modelo tridimensional que representa as características físicas do elemento e no qual estão inseridos dados atualizados em tempo real sobre seu funcionamento. Tal integração entre forma e informação permite que esse Gêmeo Digital funcione tanto como uma plataforma para visualização de dados sobre o objeto, quanto como uma ferramenta de simulação em que propostas de melhorias são computacionalmente testadas antes de serem implementadas.


Para o planejamento das cidades, os Digital Twins amplificam a capacidade da gestão urbana em tempo real, um requisito para a emergência das Smart e Responsive Cities. Uma vez que a “inteligência” da cidade decorre da existência de sensores continuamente coletando dados sobre suas dinâmicas — trânsito, meio ambiente, segurança — surge a necessidade de uma plataforma que integre essas informações e crie a interface entre elas e as pessoas.


Os Gêmeos Digitais são o instrumento propício para disponibilizar dados urbanos atualizados — tanto dentro da administração municipal, quanto abertamente em plataformas de dados públicos — e para abrigar algoritmos de análises sobre como tornar o ambiente construído mais eficiente.

Aplicações desse tipo têm surgido no cenário internacional através de pesquisas acadêmicas ou de parcerias entre empresas e prefeituras. O modelo ViLo da University College London recria a área de Londres que recebeu as Olimpíadas de 2012 em um ambiente de realidade virtual, permitindo análises de como os atributos locais variam de acordo com mudanças na forma construída, possibilitando a fundamentação de propostas de planejamento para a região.


Cidades como Los Angeles e Helsinque recentemente anunciaram o desenvolvimento de réplicas virtuais próprias para facilitar o teste computacional de propostas de mobilidade que visem diminuir as emissões de poluentes atmosféricos. No Brasil, as iniciativas de plataformas para visualização de dados urbanos se distanciam do que é visto internacionalmente por apresentarem enfoque em uma temática particular ao invés de uma abordagem multidisciplinar e por ainda não possibilitarem a exploração de cenários futuros a partir das informações atuais.


Ainda assim, é um avanço a existência de projetos como a plataforma Reviver Centro, elaborada pela prefeitura do Rio de Janeiro, que disponibiliza dados atualizados sobre o ambiente construído em um modelo tridimensional da área central da cidade. Apesar de seu escopo restrito, tal estrutura inicial torna menos custosa a eventual agregação de outros tipos de dados ou sua ampliação para outras regiões.


Mesmo que ainda distantes, o desenvolvimento de tecnologias como os Digital Twins serão uma necessidade para as cidades brasileiras no futuro próximo.


A disponibilização de dados confiáveis satisfaz a emergente tendência de empresas que os utilizam para fundamentar decisões sobre onde localizar sua infraestrutura. Além disso, a utilização de uma plataforma unificada torna a própria administração pública mais eficiente ao facilitar a comunicação entre as secretarias que interferem no espaço urbano.

A responsividade de nossas cidades futuras depende da criação de ferramentas como os Gêmeos Digitais que tornem mais explícita a relação entre os dados e as decisões sobre o ambiente urbano.



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