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Tecnologia e dados: o novo leme para a gestão urbana

Texto de Luciana Marson Fonseca e Guilherme Kruger Dalcin, publicado originalmente em Caos Planejado.

 

Na coluna do dia 21 de março, no Caos Planejado, fizemos um apanhado histórico das formas de pensar as cidades. Colocamos em pauta os momentos de corte transformadores, sempre alavancados pela tecnologia. Na coluna de hoje, vamos nos deter no tempo em que vivemos, tomando uma abordagem protagonista para esta reflexão: a tecnologia e os dados.


Falar de tecnologia, atualmente, remete imediatamente ao mundo digital, o que está correto, quando alinhado ao contexto do século XXI. Na revolução industrial, pensar em tecnologia era pensar nas máquinas. Na pré-história o fogo se tornou, nas mãos dos homens, a primeira forma de energia que conseguiram dominar.


Tecnologia é, pois, tudo aquilo que transforma nossa vida. Na etimologia da palavra, tecnologia é a união de techné com logos, unindo a técnica (ação, empiria, experiência) ao conhecimento (pensamento, processo, mentalidade). Assim, a palavra significa o domínio de determinada técnica atrelado ao sentido que é dado a esta habilidade.


À luz do significado de tecnologia, voltemos aos dados. Em Big Data e a próxima revolução científica, Pierre Lévy apresenta a ideia da Civilização Algorítmica, caracterizada por uma economia baseada na informação e no conhecimento e destaca que a próxima revolução científica será nas ciências humanas, por meio da imensa quantidade de dados.


Tendo em vista tal avalanche informacional: temos o domínio das técnicas para lidar com ela? Sabemos que sentido dar a este conhecimento? Vamos limitar nossa resposta ao nosso recorte de ação: os dados e a gestão das cidades.


Sobre a técnica, parte da resposta vem do uso exploratório de Inteligência Artificial para reduzir a complexidade de grandes conjuntos de dados. Em Los Angeles, o projeto Code the Curb está mapeando equipamentos existentes junto às calçadas — como bicicletários e parklets — por meio da coleta de imagens da rede viária, as quais são analisadas por algoritmos que automaticamente criam bases geolocalizadas da infraestrutura de mobilidade ilustrada em tais fotos.


Portanto, a IA serve como a técnica que cria a visão acessível para o planejador urbano de um aspecto que não pode ser compreendido em sua totalidade apenas com o olhar humano.


Quanto ao sentido atribuído ao conteúdo dos dados, tais registros digitais incentivam o comparativo de diferentes pontos de vista e análises de como a cidade evolui. A plataforma Acesso a Oportunidades, do IPEA, por exemplo, apresenta mapas interpretando a relação entre oferta de empregos e moradia, tornando transparente o processo de obtenção dos dados que embasam a análise.


Assim, reinterpretações podem ser realizadas para se criar um diálogo acerca do conhecimento gerado pelas informações disponibilizadas. Além disso, o armazenamento desses dados permite sua revisão periódica para que se visualize como um atributo da cidade se modifica, de modo a se avaliar objetivamente o desempenho das políticas públicas urbanas vigentes.


A utilização da tecnologia na gestão das cidades torna possível que as projeções urbanas se efetivem com base na realidade revelada pelos dados. O domínio da técnica terá resultados mais efetivos quanto mais estivermos dispostos a errar. Dar sentido ao que poderemos fazer vai depender apenas das nossas escolhas.

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